Entre a cruz e a espada

Em mais uma das minhas viagensmentais diárias, fiz uma reflexão sobre algumas profissões, inclusive a que almejo. Como sabem ou devem saber, a Samara, Amanda e eu estudamos Jornalismo. Optamos por seguir uma profissão que previamente nos deixa cientes de que não teremos horários definidos de entrada e saída, tempos livres certeiros nos finais de semana para passar com a família, ou quando a folga é geral, como aquele feriadão que emendou, ano novo por exemplo; nem férias coletivas em determinado mês, entre outros. É uma “cilada” que nos fascina, nos apetece e nos chama, e por enquanto, nada ou quase nada pode nos prender a determinado lugar e nos limitar de ir em busca de novos horizontes na área.


Mas (sempre tem um ”mas”, acredite), lendo o livro Correspondente Internacional de Carlos Eduardo Lins da Silva, parei pra refletir numa parada muito importante dessa função de correspondente.  No tópico ‘Famílias’, tem um parágrafo que até seria trágico, se não fosse cômico (ou o contrário!):

“Stephen Hess diz ter ouvido de um editor do New York Times que o jornal mede o sucesso de um correspondente pelo número de casamentos fracassados em sua vida (quanto mais casamentos rompidos, melhor o correspondente). (...) Eu mesmo e muitos colegas passamos por diversas situações em que ocasiões familiares como Natal e férias tiveram de ser interrompidas ou canceladas devido a missões imprevistas e inadiáveis que tinham de ser realizadas.”

Esses são apenas exemplos, e a profissão citada desde o início também. Médicos, seguranças, garçons, executivos de RI, tradutores, artistas, tripulantes de um navio, hoteleiros entre outros profissionais passam pela mesma situação. Profissões que demandam horários totalmente indefinidos. Penso: o que priorizar? É bem sucedido profissionalmente aquele que constitui uma família com filhos e rotina? E no caso vice-versa? Ou melhor: É possível ter um equilíbrio?

Há quem tenha a felicidade de estar nessas profissões e garantir uma vida feliz profissionalmente e também entre os seus. Porém também sabemos que essas ausências que se tornam constantes com o tempo desgastam as relações, sejam amorosas ou afetivas. Há também quem considere trocar de carreira quando têm filhos, a fim de dedicar-se quase que plenamente à família.


E aí? Tem como “ter tudo na vida”? Se tiver de escolher, ficaria com a profissão ou a vida social atrelada à uma função profissional mais amena, ainda que não seja ela sua vocação? E agora José? A cruz ou a espada?

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